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domingo, 24 de abril de 2011

Negro Cais


















Cores em flúor e negro.
Negro era tudo que ia.
A flor que ali se encantara
ria.
Mas o mundo era negro
ninguém percebia.
Um sopro
e de novo caía.
As cores que só ela via
Mas mesmo sem ver
ele sentia.

Dalila Fonteles Mauler
24/04/2011

(Foto de Stacy Coelho)

sábado, 19 de março de 2011

Canção da Madrugada

 O que me produz não vem de um amor, ou de uma dor.
O calor, aquele que me conduz.
A luz cega, o corpo arde.
A canção que tento que traduza.
Ou me induza.

Sou do mundo.
No meu mais que profundo.
Sou de tudo.
Sou na onda que purifica.
Que lava a alma.
Um mais que nada
Que invada
e leve embora
o que restou.
Um bem profícuo
Um mal explícito.
A carne exposta.
A alma torta.

E a menina
Que se finda.
Acena e assina a sina
Do devir
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Lounge Music feelings. "Erotic Lounge 9 - Cool Desires" #recomendo (inclusive que se leia a poesia ouvindo)
Sim, a proposta do cd é de música para aquelas horas. Tem uma pegada meio sensual. Mas recomendo não só pra aquelas horas, mas para inspirações em geral (inclusive estas mesmo a que se propõe o cd). (os amantes de jazz, soul e afins vão adorar)
.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Poema Para Um Dia Cinza

Queria fazer uma canção em que pudesse morar
Queria caber na palma da mão de um lunar
Queria ao invés de viver, brotar
Queria em toda a dor flutuar
No céu cinza o meu lugar

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Sem mais palavras... Um dia só de sentimentos.

(No player: A Banda de Joseph Tourton, rock instrumental que recomendo)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Música Distante

        Quando acordei e sentei à sala antes da varanda distingui ao longe um sambinha antigo. Não sabia quem tocava nem que música era, mas mesmo assim ele me confortava que nem ousava  mexer-me pra que o ruído bom não se extinguisse ou que perdesse minha posição confortável. Pela janela vinha uma brisa branda pra aliviar o calor, como as mãos de Deus que bate com uma e conforta com a outra.
Naquele dia não pensava em nada. Nenhum desejo, nenhum devaneio a me distrair. Apenas olhava o céu e via o tempo passar. Daquele dia não esperava mais do que o sol subindo até depois de tão alto ir caindo, caindo... Até morrer e vir a lua. Os dois que nunca se encontram no céu, mas que nutrem por si um encantamento admirável.
        Era outra vez naquela cidade .  O mesmo encantamento! Abraços que me faziam falta. O ar meio boemio que envolvia tudo ali. Um tom colorido entre as pessoas que se confundia com os tons da cidade. Um barzinho "fulero" para terminar a noite, uma dose de graça de vodka com laranja. Todos pareciam comemorar algo.
        Naquela alegria me perdi e veio então no dia seguinte horas sem pensamento. Despertei com uma música que pude então distinguir "fundamental é mesmo o amor é impossivel ser feliz sozinho". Nada melhor que ouvir logo que se acorda o tal Antonio Brasileiro. Entre uma canção e uma nuvem nova que surgia no céu... "De repente, não mais que de repente" aturdi-me com uma figura estranha que passava na calçada que tinha-me algo de familiar. Levava um porte elegante e trajava um palitó branco de algodão. Na cabeça uma boina lhe dava um ar boemio e despreocupado. Sentou-se no bar em que parecia ser assíduo, levando em conta o cumprimento afetuoso do dono, o bar de onde vinha as músicas que ouvia. Pediu uma cerveja (beber a essa hora em plena terça-feira? Nem se aproxima do meio dia, mas que idéia). Mas havia algo de mistério e de estranhamente conhecido que me atraiu a observar aquele homem.
        Na segunda cerveja apanhou ele um grardanado e pô-se a escrever algo que pelos trejeitos que fazia parecia lírico. Ao terminar pôs-se a declamar os versos:

Como um passarinho
fizestes ninho
no alto Que dantes era flor
comigo aqui no solo era em cor

Me observas com olhos curiosos
que antes eram ternos e calorosos
Mas com teus cabelos em fogo
no vento tenho meu consolo

Com tua dúvida há meu padecer
O tempo lhe fez esquecer
As feições que mudaram pelo mesmo autor

De ti a distância, tens um novo amor
De mim a conformação
Junto a cerveja que tomo agora


Dalila Fonteles Mauler 03/02/2011

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Quem tava no encontro do Eufonia terça deve ter escutado eu dizer que nunca conseguia terminar um conto. Pois não é que desse vez eu consegui! Fazia tempo que não gostava de algo que faço mas até que achei legal esse texto! Quero saber a opinião de vocês.
Obrigada a todos pela acolhida maravilhosa de sempre!
De volta aos blogs de quinta!
Beijo bem grande!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Menina de Lá

Me olhei num espelho
De vidro espirituoso e temerário
Encantou-me o que vi
Parecia imagem
Muito mais limpa e livre
A vida passava como a brisa
Leve, morna, sem pressa

Por aquele sorriso franco e metálico
Antevi grandes feitos
Uma mulher forte se construía
Uma alma de peito aberto
Que recebia de bom grado todo o amor e afeto
O devolvia com toda a graça
que sua alma pueril lhe conferia

Nas semelhanças do espelho
Encontro as diferenças
Nas lágrimas que caem vejo no espelho
Algo de mim

Dalila Fonteles Mauler 20/01/2010
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Tive bons encontros nessas férias. Um deles foi com minha irmã que mora em Minas, que conheci na verdade (ela tem 14 anos mas por conta da distância nunca tivemos a oportunidade de nos ver). Essa poesia saiu do encantamento que tive de cara dela. 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Versos Rápidos

Pra não deixar de postar mais uma semana vou postar só algo rápido.

Desespero!
Crio o pranto
Desvale o Canto

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Essa semana foi deveras pesada só tou postando hj mesmo pra que não fique mais uma semana em débito.
Espero que vocês me perdoem. Tenho lido todas as postagens mas ando sem tempo pra comentar. Em breve me retratarei.

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No player: O sono e cansaço de um dia ruim (ainda bem que pelo menos vou dormir agora)

 Beijos a todos

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Simulacro

Salsa, bougainville, hibisco, rosa
Alfinete, orquídea, margarida
Flor de jambo, de laranjeira
Umas pequenas e quase imperceptíveis
Outras grandes e exuberantes
Folhas imitam as pétalas
Mas o botão é minúsculo
O sol é forte e ela se fecha
O sol arde no dorso
Mas ela não sente
Não dói
Simulação da vida
Mas vida não é
Só um Pinóquio de pano
Um ser inerte de sonho
Dalila Fonteles Mauler


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Olá!
Há tempos quero fazer uma postagem mais elaborada, começar uma série, algo assim. Mas quando as idéias me vêm me vem o turbilhão de coisas pra fazer, como é o que está acontecendo essa semana. Mas espero em breve poder fazer isso, porque idéias não me faltam. Estou aqui hoje só por não deixar de postar mais uma vez, por que a energia foi sugada de mim por conta das coisas que estou estudando.
Desculpem pela ausência de comentários nos blogs de vocês. Me retratarei em breve.
Obrigada pelos comentários.
Um beijo e uma flor.
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No player: por incrível que pareça não estou ouvindo nada no momento '-'

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Arreio bom

Bem, quem vos fala aqui é CA Ribeiro Neto, conhecido como Carlim, e recebi a tarefa de postar pela Dalila, o que é bem difícil. É bem verdade que esse blog é meio meu - pelo menos o layout foi eu quem fiz -, mas postar pelos outros é deveras complicado, por não saber se estou sendo fiel à proposta do blog. Qualquer coisa, ela me corrige na próxima quinta!

Arreio bom

O amor envolve e mata a gente
Mas sem calor que é que há de se viver
Há quem se diga vacinado
Mas deixa o vírus se abater
Pra ver neguinho arriado

É um arreio
Mas é um arreio bom
Se as pernas tremem
Não é de frio
Se o suor escorre
Não foi o clima que mudou
É o calor
Que passa de você pra mim

O amor é sujeito.
Ativo, inconseqüente
O amor é objeto.
Tem forma e consistência
O amor é autoritário.
Pungente e sem lógica.
O amor é democrático.
Onipresente e é propagado
Quem é que não quer ser amado?!

O amor envolve e mata a gente
Mas sem calor que é que há de se viver
Há quem se diga vacinado
Mas deixa o vírus se abater
Pra ver neguinho arriado

Dalila Fonteles Mauler
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* O penúltimo estrofe dessa poesia é livremente inspirado em uma poesia minha!
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No player: Choro Bandido - Chico Buarque (Programa Ensaio)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Por do Sol na Ponte

Sobe na ponte

Do rio cheio

Me mostra teus saltos mortais

Me dá tua boca de caju

Dos meus cabelos de ondas

Pesca tuas vontades

Sente o meu cheiro de mar

Colore com o céu meu vestido

Celebra o sol comigo

Surge dos vários azuis do céu

Da minha cidade azul

Um azul triste

De uma banda no coreto da praça

Da tarde sozinha

Com tanto céu, rio e ponte


Dalila Fonteles Mauler 11/09/09


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É... já deu pra perceber como eu gosto dessa parte da minha cidade. Hehehe.

E tudo vai pro seu lugar. Sempre vai...

E todas essas disciplinas da faculdade não vão me matar ¬¬

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No player: Just do it - Copacabana Club