sábado, 12 de fevereiro de 2011

Poema Para Um Dia Cinza

Queria fazer uma canção em que pudesse morar
Queria caber na palma da mão de um lunar
Queria ao invés de viver, brotar
Queria em toda a dor flutuar
No céu cinza o meu lugar

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Sem mais palavras... Um dia só de sentimentos.

(No player: A Banda de Joseph Tourton, rock instrumental que recomendo)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Música Distante

        Quando acordei e sentei à sala antes da varanda distingui ao longe um sambinha antigo. Não sabia quem tocava nem que música era, mas mesmo assim ele me confortava que nem ousava  mexer-me pra que o ruído bom não se extinguisse ou que perdesse minha posição confortável. Pela janela vinha uma brisa branda pra aliviar o calor, como as mãos de Deus que bate com uma e conforta com a outra.
Naquele dia não pensava em nada. Nenhum desejo, nenhum devaneio a me distrair. Apenas olhava o céu e via o tempo passar. Daquele dia não esperava mais do que o sol subindo até depois de tão alto ir caindo, caindo... Até morrer e vir a lua. Os dois que nunca se encontram no céu, mas que nutrem por si um encantamento admirável.
        Era outra vez naquela cidade .  O mesmo encantamento! Abraços que me faziam falta. O ar meio boemio que envolvia tudo ali. Um tom colorido entre as pessoas que se confundia com os tons da cidade. Um barzinho "fulero" para terminar a noite, uma dose de graça de vodka com laranja. Todos pareciam comemorar algo.
        Naquela alegria me perdi e veio então no dia seguinte horas sem pensamento. Despertei com uma música que pude então distinguir "fundamental é mesmo o amor é impossivel ser feliz sozinho". Nada melhor que ouvir logo que se acorda o tal Antonio Brasileiro. Entre uma canção e uma nuvem nova que surgia no céu... "De repente, não mais que de repente" aturdi-me com uma figura estranha que passava na calçada que tinha-me algo de familiar. Levava um porte elegante e trajava um palitó branco de algodão. Na cabeça uma boina lhe dava um ar boemio e despreocupado. Sentou-se no bar em que parecia ser assíduo, levando em conta o cumprimento afetuoso do dono, o bar de onde vinha as músicas que ouvia. Pediu uma cerveja (beber a essa hora em plena terça-feira? Nem se aproxima do meio dia, mas que idéia). Mas havia algo de mistério e de estranhamente conhecido que me atraiu a observar aquele homem.
        Na segunda cerveja apanhou ele um grardanado e pô-se a escrever algo que pelos trejeitos que fazia parecia lírico. Ao terminar pôs-se a declamar os versos:

Como um passarinho
fizestes ninho
no alto Que dantes era flor
comigo aqui no solo era em cor

Me observas com olhos curiosos
que antes eram ternos e calorosos
Mas com teus cabelos em fogo
no vento tenho meu consolo

Com tua dúvida há meu padecer
O tempo lhe fez esquecer
As feições que mudaram pelo mesmo autor

De ti a distância, tens um novo amor
De mim a conformação
Junto a cerveja que tomo agora


Dalila Fonteles Mauler 03/02/2011

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Quem tava no encontro do Eufonia terça deve ter escutado eu dizer que nunca conseguia terminar um conto. Pois não é que desse vez eu consegui! Fazia tempo que não gostava de algo que faço mas até que achei legal esse texto! Quero saber a opinião de vocês.
Obrigada a todos pela acolhida maravilhosa de sempre!
De volta aos blogs de quinta!
Beijo bem grande!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Menina de Lá

Me olhei num espelho
De vidro espirituoso e temerário
Encantou-me o que vi
Parecia imagem
Muito mais limpa e livre
A vida passava como a brisa
Leve, morna, sem pressa

Por aquele sorriso franco e metálico
Antevi grandes feitos
Uma mulher forte se construía
Uma alma de peito aberto
Que recebia de bom grado todo o amor e afeto
O devolvia com toda a graça
que sua alma pueril lhe conferia

Nas semelhanças do espelho
Encontro as diferenças
Nas lágrimas que caem vejo no espelho
Algo de mim

Dalila Fonteles Mauler 20/01/2010
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Tive bons encontros nessas férias. Um deles foi com minha irmã que mora em Minas, que conheci na verdade (ela tem 14 anos mas por conta da distância nunca tivemos a oportunidade de nos ver). Essa poesia saiu do encantamento que tive de cara dela. 

O Retorno!

Vocês não sabem do que eu sou capaz (nem eu!!)


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Depois deste longo inverno que me culminou a saída dos blogs de quinta estou de volta.
Para aqueles que me acompanhavam (comentando ou não) lhes digo que voltarei a escrever, mesmo ainda achando que o que escrevo não me rende o título de escritora, mas de qualquer forma é algo que me faz bem e que quero prosseguir. Não sei onde vai dar, mas lá vamos nós!
Volto iniciando uma nova fase da minha vida, mesmo que com brigas internas já bem conhecidas, mas ao menos já consigo assumí-las e agora me parecem mais claras e como eminência de mudanças ainda maiores.
Para marcar a nova fase do blog ( e minha) resolvi mudar o layout e deixei só as postagens novas na página principal pra que fique mais "organizado", mas você pode ler as postagens antigas clicando na barra de postagens do lado direito da página.
Tenho várias idéias na cabeça mas não vou projetar nada por enquanto vou deixar que as coisas apenas sigam seu curso. E se passando por aqui achar que vale a pena pare, dê uma lidinha.

Beijo a todos que me leram até agora, aos que vão continuar lendo e aos novos leitores.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

“Eu que tinha um nome diferente já quis ser Maria”



Tiê - Passarinho


    Entre as flores da trilha e as que lhe enfeitavam o cabelo, imprimia no terreno alagadiço, porém fértil, seu caminho.
    Entre uma canção brasileira e outra francesa vinham seus amores e as dores. Por nada reclamava, não gostava de remédios, nem os pra dor de cabeça ou pra cólica, preferia passar essas dorzinhas naturalmente, assim como aquelas que vinham daquele coração simbólico. Certo que por vezes se doava demais praquilo que não valia a pena, mas sempre tinha a esperança (e por vezes a ilusão) de que valeria se desse tudo de si.
    Aquela flor que um dia quis ser um passarinho pra voar ao sabor do vento sem tantas preocupações de que um pé desatento lhe esmagasse as pétalas, quis um dia também ser uma árvore de raízes profundas pra que raros ventos a abalassem.
    De agora em diante não perderia as esperanças. Pintaria suas unhas de vermelho, cortaria seu próprio cabelo, cuidaria mais de si, cuidaria também daquilo que está dentro. Estaria mais certa do que está lá. E ao passarinho que se engraçar por aquela flor ela recomenda “"dê prazer, dê fogo[...]dê amor, dê segurança", porque senão ela vai dizer “voa passarinho”....


Dalila Fonteles Mauler 14/05/2010




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No player:Siberian Khatru - Yes


Acho que agora as coisas estão se organizando... hora de retomar coisas =)